A lamentável cobertura da greve nas federais

17 de julho de 2012
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Sylvia Debossan Moretzsohn

Sou professora de jornalismo na Universidade Federal Fluminense há 19 anos e acompanho, por interesse e dever de ofício, a cobertura jornalística em geral e, em particular, esta agora sobre a greve nas universidades federais, que já vai completar dois meses. Entendo que os jornais não possam entrar nas minúcias dos detalhes que envolvem as atuais reivindicações, mas deveriam ter a obrigação de esclarecer o que está em jogo. Sobretudo agora, que o governo finalmente se manifestou.

As reportagens do dia 14 de julho não dão esses esclarecimentos. A matéria da Folha ainda tenta relativizar os números do governo (40% e não 45% de reajuste para os próximos três anos). Ainda assim, não mostra que o índice maior de reajuste é apenas para os professores titulares, que representam uma minoria ínfima do total de docentes: fala, como a maioria dos demais jornais, em “doutores”, pura e simplesmente.

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5 de julho de 2012
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Márcio Castilho

A implantação de uma série de dispositivos por parte de órgãos de fomento vem criando uma lógica de isolamento entre os pesquisadores, enfraquecendo, ao mesmo tempo, espaços de discussão e de solidariedade entre os docentes em programas de pós-graduação. Uma pesquisa dos professores Décio Rocha e Bruno Deusdará, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), mostra que os critérios têm caráter prescritivo, ou seja, influenciam as formas de atuação acadêmica, com pontuações diferenciadas para cada tipo de atividade exercida e indicações até mesmo sobre como proceder para que um artigo científico seja considerado “publicável”.
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4 de julho de 2012
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André França Rocha Borba

“O meu trabalho possui certas ‘especificidades’ que outros não têm”. “Só eu lido com prazos inadiáveis dos órgãos de fomento”. Esses argumentos, tão comuns no meio acadêmico, procuram justificar a situação dos professores de pós-graduação, que nunca aderem a greves em universidades, como esta que se iniciou em 17 de maio e hoje reúne 95% das instituições federais de ensino, segundo o sindicato nacional dos docentes do ensino superior (Andes). A ideia de que “pós-graduação não faz greve” sugere que, apesar de estarem no mesmo barco, os professores das universidades públicas enfrentam tensões internas que acabam resultando na divisão da categoria.
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Reuni em xeque

9 de junho de 2012
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Por Larissa Morais e Ana Paula Bragaglia
Ilustração de Ildo Nascimento



Criado no primeiro ano do governo Lula com o objetivo de ampliar o acesso dos brasileiros à educação superior e divulgado desde então como ponto alto da plataforma petista para a área de Educação, o Reuni está posto em xeque na greve das universidades públicas.

A sigla quer dizer Reestruturação e Expansão das Universidades Federais. A expansão de fato aconteceu, mas a reestruturação deixou a desejar. Para expor os problemas que universidades de todo o país estão enfrentando, a professora Kátia Lima, da Escola de Serviço Social, expôs o resultado de sua pesquisa sobre o tema no último dia 30 de maio, no Instituto de Arte e Comunicação Social (Iacs).

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Professores e alunos no Iacs realizam atividades no período de greve

2 de junho de 2012
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Por Carina Lamonatto
Ilustração de Ildo Nascimento

 
O aluno do Instituto de Arte e Comunicação Social (Iacs) da UFF que achou que a greve seria motivo para ficar em casa de pernas para o ar estava completamente enganado. Durante o período de paralisação, serão realizadas no Instituto atividades promovidas por professores e pelo movimento estudantil. Essa é a oportunidade de parar para refletir e entender o que realmente significa a greve, em vez de só reclamar nas redes sociais.
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Comando de greve da UFF organiza calendário

26 de maio de 2012
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Por Márcio Castilho
Ilustração de Ildo Nascimento



O Comando Local de Greve da Associação de Docentes da UFF (Aduff) está realizando atos de mobilização em diferentes unidades para reforçar a adesão à greve de professores, iniciada no último dia 22. As atividades incluem debates e panfletagem nos campi para conscientizar a comunidade acadêmica sobre os motivos da greve e sua importância para a melhoria na qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão nas Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes).

Representantes da Aduff reforçam a necessidade da incorporação de um número maior de docentes junto ao comando de greve para levar o debate às unidades da UFF que ainda não aderiram ao movimento. O calendário de mobilização pode ser consultado no site da Aduff. A próxima assembleia geral está marcada para o dia 29 de maio, às 14h, no Auditório Florestan Fernandes, na Faculdade de Educação, bloco D, no campus do Gragoatá.

A reestruturação da carreira docente, com a valorização do piso e a incorporação das gratificações, e a melhoria das condições de trabalho estão entre as principais reivindicações do movimento docente. Na assembleia do dia 22, os professores fizeram críticas ao modo como vem sendo conduzido o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e ao caráter produtivista da pesquisa acadêmica estimulado pelos órgãos de fomento.

Na ocasião, os professores manifestaram dúvidas em relação ao que não deve funcionar e ao que pode ser considerado atividade de greve, especialmente nas unidades situadas no interior fluminense. Os debates nos campi têm o objetivo de esclarecer também outros questionamentos, como a situação dos docentes em estágio probatório na UFF. Dos 2.950 docentes, cerca de mil (1/3 do total) estão nessa condição. O comando de greve esclareceu que a Andes já divulgou análise jurídica da situação dos professores em estágio probatório, substitutos e visitantes, os quais teriam direito de aderir à paralisação nacional.

Após a última assembleia, os professores ganharam o reforço dos estudantes, que também decidiram entrar em greve, e servidores técnico-administrativos no ato público realizado na Praça do Araribóia, em frente à estação das barcas, no Centro de Niterói.
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Reajuste para professores de federais fica atrás da inflação

24 de maio de 2012
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Por Larissa Morais
Ilustração de Ildo Nascimento



O reajuste de 4% para os professores das universidades federais, pago através de Medida Provisória no contracheque de maio, não cobre sequer a inflação do ano passado. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é usado como referência para a atual política de metas de inflação, ficou em 6,5% em 2011.

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A greve nas federais e o reajuste engana-trouxa

19 de maio de 2012
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Por Sylvia Moretzsohn
Ilustração de Ildo Nascimento





Na mesma semana em que a Andes, o sindicato nacional dos professores de universidades federais, anunciou a deflagração de uma greve, o Ministério da Educação divulgou nota informando que havia sugerido à Presidência da República a edição de Medida Provisória para garantir o pagamento do reajuste salarial de 4% prometido para março, mas ainda não pago, e a incorporação das “gratificações específicas do magistério superior”(conhecidas pela sigla “gemas”, o que sempre foi um convite quase irresistível a todo tipo de ironia) ao salário-base.
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