Estudantes sim, mães também!


24 de maio de 2016


Por Emanuela Neves do Amaral

Estar na universidade pública hoje não é nada fácil. Antes mesmo de entrar no curso que escolheu, o estudante passa por uma maratona de processos seletivos e disputa vagas num cenário de intensa concorrência.Quando entra se depara com diversas dificuldades que uma instituição de ensino público hoje tem, como a falta de professores, infraestrutura muita vezes precária e falta de auxílio estudantil.
Agora, há um grupo de mulheres na universidade que, além de enfrentar tudo isso, tem que lidar com o desafio de ser estudante e mãe. Entre os cuidados com a criança, a mãe enfrenta a dificuldade de acesso aos espaços da universidade, a falta de vaga na creche universitária, pouco tempo de licença maternidade, falta de auxilio satisfatório e diversas outras barreiras até o fim da graduação.
“Entrar na universidade pra mim foi um sonho, que eu venho batalhando pra realizar. Mas é bem difícil, porque a universidade hoje é muito excludente para as mulheres que são mães. Eu já fui barrada com meu filho no bandejão. Trouxe ele várias vezes nas aulas, os professores são bem flexíveis com essa questão mas os demais espaços não são acolhedores. Eu me sinto excluída, porque várias coisas eu não posso participar por ter um filho. Tem coisas que eu quero ir e que não pode criança. As universidades embora tenham creches não é fácil entrar. Agora foi municipalizado e as mães universitárias não têm acesso a isso. Isso complica bastante o dia a dia”, conta Beatriz, estudante de Sociologia da UFF que foi mãe do primeiro filho ainda no ensino médio, antes mesmo de entrar na universidade.


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A música como um instrumento de luta feminista


10 de novembro de 2015

Por Leon Lucius de Holanda

Recentemente, a palavra “feminismo” e o próprio movimento “bombaram”. Durante o último ano, por exemplo, o site do jornal Folha de S. Paulo o citou 137 vezes, entre artigos e notícias. Já o G1, um dos maiores portais de notícias do país, noticiou 12 eventos da Marcha das Vadias, que pede o fim de políticas e atos relacionados ao machismo. No Google, o “feminismo” é citado mais de 5 milhões de vezes. A música também não ficou de fora: no Brasil, a funkeira Valesca Popozuda abraçou o movimento e disse “eu sou feminista” e, lá fora, a cantora Beyoncé usou o telão de LED de suaperformance para estampar a palavra “feminista” (em inglês) no palco de uma grande premiação. Só nos Estados Unidos, essa performance foi vista em tempo real por mais de 8 milhões de pessoas.

No entanto, o que significa esse termo? O que significa esse movimento? Segundo Luciana Bittencourt, supervisora do projeto UFF Mulher e mestranda em Serviço Social na mesma instituição, a primeira coisa a se pensar em feminismo é pensá-lo no plural: “feminismos”. Além da questão da temporalidade, há também o fato de haver diferentes revindicações de diferentes grupos dentro do movimento. 

"A cada momento vão surgindo novas correntes e isso também vai reinventando o próprio feminismo" declarou Luciana. 
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Empoderamento da Mulher


14 de abril de 2015



Não é difícil constatar a tradição machista na sociedade brasileira. Desde pesquisas que comprovam que a mulher recebe menos do que o homem na média do país até ideias incutidas na mente das pessoas como “lugar de mulher é na cozinha”, a mulher é vítima de diversos tipos de abuso em casa, no trabalho e em lugares públicos.

Entretanto, elas estão cada vez mais conquistando espaço na sociedade e garantindo seus direitos, e é isso que o Cadernos de Reportagem mostrará com a nova série temática "Empoderamento da Mulher".
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Regulamentação da prostituição: um debate sobre mulheres marginalizadas


03 de maio de 2015

A discussão sobre o assunto divide opiniões, mas todos entendem a necessidade de garantia de direitos às prostitutas 


Por Tatiana de Carvalho Oliveira



A 76ª Delegacia Policial (DP) e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Niterói invadiram um prédio no Centro da cidade, no dia 23 de maio de 2014. No “Prédio da Caixa”, como é conhecido o edifício, trabalhavam cerca de 400 prostitutas. A ação terminou na retirada de 300 delas do local e na interdição dos quatro andares em que trabalhavam. A ação foi determinada pela juíza Rose Marie, da 1ª Vara Criminal, e teve o auxílio de 13 delegacias do Estado do Rio de Janeiro.

Uma das prostitutas que estava presente na invasão policial participou de uma audiência pública, no começo de junho, e denunciou as ações da polícia no caso. Isabel (nome fictício) disse que as prostitutas foram ameaçadas, agredidas, humilhadas e roubadas pelos policiais. Segundo ela, houve também casos de estupros.
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A nudez feminina na era digital


06 de maio de 2015

Por Marcella Ramos

X estava terminando o ensino médio e namorava um rapaz por quem nutria uma enorme paixão. Já namoravam há meses e ela tinha certeza de que era para sempre. Com ele, perdeu a virgindade, deu seus primeiros goles em bebidas alcoólicas e viajou pela primeira vez sem seus pais. Sua mãe já havia desistido de tentar impedir que ela dormisse na casa dele nos finais de semana. Ela não era tola de já pensar em casamento, mas se tivesse que se casar com ele, não recusaria. Eles trocavam fotos íntimas como muitos casais acabam fazendo em algum momento. No entanto, quando o namoro chegou ao fim, amigos do ex de X estavam com suas fotos no celular. Não demorou muito e toda escola já tinha acesso a essas fotos. X se encontrou em um pesadelo.

X permaneceu forte, apenas trocou de colégio e seguiu em frente até esquecerem o assunto. No entanto, nem sempre é tão fácil assim. Em novembro de 2013, dois casos bem semelhantes estamparam jornais. Julia Rebeca, 17, teve um vídeo íntimo vazado pelo aplicativo WhatsApp. Ela não aguentou o bullying e se enforcou com um fio elétrico. Quatro dias depois, a jovem gaúcha Giana Laura Fabi, 16, também se matou por motivos parecidos.
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Mulheres como Protagonistas de Suas Famílias


06 de maio de 2015

Por Samil Chalup

Logo no início da ladeira que leva ao Morro do Preventório, em Niterói, Sônia Maria Faria e Maria Hosana Gomes da Silva atendem à população no Banco Comunitário, onde os moradores podem fazer pagamentos, abrir contas pela Caixa Econômica, retirar cheques e até fazer empréstimos. “Todos aqui conhecem e respeitam a gente”, diz Sônia, que trabalha no banco desde 2011. 

Assim como elas, o Censo 2010 revelou que mais de 600 mil mulheres representam 58,8% da mão-de-obra assalariada no Brasil, a maior porcentagem em toda a história do país. Embora elas ainda recebam, em média, 25,8% a menos do que os homens. Iniciativas como o Banco Comunitário, realizado a partir de uma parceria entre a Ampla e a Universidade Federal Fluminense (UFF), têm ajudado milhares de mulheres a conseguirem sua autonomia dentro do lar.
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Empreendedorismo feminino: as donas do negócio


18 de abril de 2015

Por Isabela Zonta e Júlia Ferraro

A última pesquisa Global Entreprernourship Monitor (GEM), divulgada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em 2013, revelou que o número de mulheres com negócio no Brasil cresceu 18% entre os anos de 2002 e 2012, o que corresponde a 7,2 milhões de pessoas. O estudo mostra também que aproximadamente 39% dessas mulheres, além de gerir o próprio empreendimento, são também “chefes” de seus respectivos domicílios. Os dados mostram um novo retrato social e econômico do empreendedor no Brasil.

O crescimento de mulheres à frente de novos negócios é resultado de vantagens competitivas propiciadas por características comuns ao sexo feminino. Facilidade de organização e planejamento, confiabilidade e resiliência, traços frequentemente usados na descrição de pessoas do gênero feminino, colocam a mulher em posição de vantagem no mercado. Pelo menos é o que afirma a jornalista e escritora Joyce Moysés em seu livro “Mulheres de sucesso querem poder... Amar”.
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Pornografia: a busca feminina num território dominado pelos homens


16 de abril de 2015

Por Cecília Boechat e Gabriella Balestrero

De acordo com o canal do Youtube All Time 10s, 30 mil pessoas estão assistindo a vídeos pornográficos neste exato momento. Desse total, 25% a 33% dos espectadores são formados por mulheres. Ou seja, há, no minimo, 7,5 mil mulheres assistindo filmes pornôs nesse segundo. Apesar da grande audiência feminina, a maioria das produções pornográficas é direcionada ao público masculino, pelo menos nas produtoras mais conhecidas.

Segundo a doutoranda Nayara Matos, da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a mulher, de modo geral, sempre se interessou por pornografia, mas devido a uma concepção cultural socialmente construída que nega à mulher a liberdade pelo interesse erótico, inscrevendo-a em um lugar de vergonha e de culpa, essa busca feminina não é fácil de ser observada. Ainda hoje, poucas mulheres se dispõem a falar abertamente sobre o tema. “É um assunto do qual as pessoas têm vergonha de falar. Existe essa moralização em cima da pornografia (...) então é raro você encontrar (alguém). É diferente quando se fala sobre outros assuntos: de cinema, de política, de algo em que não haja um julgamento em cima de você”.

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