Vale tudo eleitoral


Em ano de eleições, debates sobre política se tornaram pauta constante nos meios de comunicação. O eleitor teve a oportunidade de questionar e discutir o mandato dos atuais governantes, pensar sobre o futuro da política no país e conhecer os candidatos. Alguns fenômenos se destacaram e assumiram o protagonismo nestas discussões.
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O humor como 'arma' política: para não ser mais um na multidão

25 de novembro de 2014


Candidatos “personagens” são cada vez mais frequentes no cenário eleitoral brasileiro apostando na estratégia do excêntrico mas com plataformas políticas difusas

Bruno Marques, Luíza Calaça e Nycolas Santana

Placas de publicidade eleitoral em todas as janelas, panfletos com o rosto de candidatos espalhados pelo chão e carros de som gritando jingles políticos evidenciam que, no município de São João de Meriti, onde Regina Célia de Souza Bento mora, às vésperas da eleição, a política marca presença. A casa fica nos fundos e logo na entrada uma placa de publicidade carrega o nome e a foto de sua personagem: Super Zefa Ostentação, “Aqui o seu voto tem poder”. A ideia foi criada inicialmente com o intuito de integrar um programa de humor da televisão, sem sucesso. Regina optou então por se lançar na política como candidata a vereadora.
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Discurso contra homossexualidade nas eleições repercute na internet

24 de novembro de 2014


Após polêmica criada pelo candidato Levy Fidelix em debate eleitoral, universitários apresentam opiniões divergentes sobre o tema

Luísa Verçosa

O discurso considerado homofóbico pelos movimentos sociais do candidato à presidência Levy Fidelix (PRTB), em debate eleitoral no dia 28 de setembro na Rede Record, repercutiu nas redes sociais, ganhando críticas, mas também apoio de pessoas em todo o país. Manoela dos Santos, estudante de Publicidade na UFF, conta que são seus pais, muito religiosos, que não lidam bem com o assunto. “Minha família é contra a homossexualidade e minha irmã é lésbica. Eles fizeram questão de mostrar apoio ao Levy, mesmo que minha irmã estivesse ali para ouvir”. Assim como Manoela, Tuane Camara, aluno de Letras na UFF, concorda que os pais costumam ser os mais conservadores, mas adiciona: “No geral é aquela coisa de estar tudo bem desde que [os homossexuais] não mexam comigo”, falando de como parte de seus amigos reage. “Levy Fidelix só falou o que todos pensam, mas não têm coragem de dizer em rede social”, disse Diego Medeiros, usuário do Twitter. 
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Jovens do 'Vem para rua' não atendem ao chamado do 'Vem para urna'

22 de novembro de 2014

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), número de eleitores entre 16 e 17 anos é 30% menor que 2010, e apenas um quarto dos jovens dessa faixa etária optou por  votar este ano

Charles Soares

Em junho de 2013, manifestações de rua tomavam conta das principais cidades, mostrando uma população jovem disposta a tomar atitudes para mudar os rumos políticos do país. “Vem pra rua”, “O gigante acordou” e “Esse governo não nos representa” eram algumas das frases que ecoavam e se difundiam em hastags nas redes sociais. Uma onda de civismo e patriotismo revestia-se de esperança, contagiava a geração mais jovem e despertava lembranças de quem viveu outros grandes momentos históricos, como a abertura política marcada pelas “Diretas já” nos anos 1980 (movimento que lutava por eleições diretas para presidente, depois de duas décadas de Ditadura). 

Mais de um ano depois, a euforia parece não ter sido a mesma. Às vésperas das primeiras eleições após as Jornadas de Junho, como ficou conhecido o movimento, números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) demonstraram um distanciamento dos jovens das urnas. De acordo com o TSE, o número de eleitores entre 16 e 17 anos que tirou o título de eleitor e, portanto, estava apto a votar era de 1.638.751, o que representa 30% a menos se comparado aos 2.391.352 registrado em 2010, data das últimas eleições gerais.
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25 de outubro de 2012
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Filipe Galvão (texto) e Douglas Nascimento (texto e fotos)

Unir prazer e trabalho em uma mesma sentença talvez pareça um contrassenso para maioria das pessoas. Mas não para Claudia Evangelista. Durante o expediente a niteroiense de 53 anos bate papo, toma cerveja com amendoim, ouve música e ainda pega um solzinho. É a primeira vez que Cláudia consegue um trabalho assim. “Pena que só dura um mês”, lamenta, olhando o fim de tarde refletido nas águas da praia de Icaraí. Sua função: cabo eleitoral.

Claudia recebe R$600,00 para sentar-se ao lado de uma placa de dois metros por três do candidato petista Rodrigo Neves, das oito da manhã às cinco da tarde, na esquina da Praia de Icaraí com Paulo Alves. Segundo os comitês de campanha, os cabos eleitorais devem proteger o material de campanha de danos físicos e morais. O papel de Claudia no primeiro turno não seria somente proteger a imensa placa de sair voando com os fortes ventos da praia ou de um eventual ataque de pedestres que precisam rebolar entre tanta bandeira, cavalete e panfleteiros. Afinal de contas, material de campanha não falta e se quebrar tem mais. Mas como calcular o dano de um vistoso bigode de caneta na foto do sorridente candidato?
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Consciência Política

3 de outubro de 2010


O que foi feito daquela gente aguerrida que empunhava bandeiras e bradava slogans em manifestações entusiasmadas que enchiam as ruas? O que aconteceu desde o embate da primeira eleição direta para presidente após a longa ditadura militar, em 1989?

Nos últimos anos, a cada eleição a rotina se repete: cabos eleitorais pagos agitam burocraticamente bandeiras e distribuem santinhos às vezes sem saberem sequer para quem estão trabalhando. Nas praças e parques, conversam entre si, bocejam ou até dormem enquanto “vigiam” os cavaletes de propaganda: só quem sorri são os candidatos, em fotos cada vez mais retocadas.

Conversamos com algumas dessas pessoas, para saber como é trabalhar durante a campanha e o que pensam da política (veja a matéria). Nas entrevistas a seguir, com os professores Francisco Ferraz e Cláudio Farias Augusto, discutimos as razões para a apatia do eleitorado. E reproduzimos dois trechos de artigos recentes do jornalista Janio de Freitas na Folha de S.Paulo, que nos ajudam a refletir.
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Ideologia: Eu quero uma para (sobre)viver

4 de outubro de 2010
Por Leonardo Pimentel Freire e Luísa Mello




Amaro: campanha é oportunidade de ganhar um extra
Foto: Gabriela Charpinel
O voto pode não estar à venda – como alerta a propaganda do Tribunal Superior Eleitoral – mas a mão-de-obra é sempre farta em época de campanha. Pouco importam a história política e as propostas do candidato em prol do qual se trabalha: basta disposição para encarar horas balançando bandeiras e distribuindo folhetos. Amaro José, de 49 anos, morador do morro do Cantagalo, é um caso típico: faz campanha para o candidato a deputado estadual André Lazaroni (PMDB), mas o desconhece.
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Professor associa queda da militância ideológica ao crescimento do PT

3 de outubro de 2010
Por Mariana Pitasse Fragoso




Confusão na praça Nilo Peçanha, em Niterói: cabos eleitorais disputam espaço para panfletagem. Nada a ver com a batalha de idéias de outros tempos. Para o professor de Ciência Política Francisco Ferraz, aposentado da UFF e da UFRJ e atualmente no IBMEC, o contraste entre a militância apaixonada de antes e o quadro de agora tem a ver com a própria trajetória do PT nesses 30 anos de existência.

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“A democracia é morna por definição”

4 de outubro de 2010
Por Lara Faria

O professor de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF) Claudio Farias Augusto concorda com seu colega Francisco Ferraz (Veja a entrevista concedida pelo professor Ferraz) sobre a relação entre o esvaziamento da militância política e a história do PT.

“O PT, quando surgiu, era diferente de tudo que existia, por congregar intelectuais, estudantes e operários. Isso, no período inicial de saída da ditadura, significava um grande amor à militância. Havia uma esquerda aglutinada, pois existia um inimigo comum, e isso encantou os que desejavam mudança, embalando campanhas incríveis”. O crescimento do PT, normal com a consolidação da democracia, acabou, segundo Cláudio, por transformá-lo num partido semelhante aos tradicionais, que visa o poder a qualquer preço.
Um dos exemplos disso seriam as alianças em torno de questões imediatas como o tempo de propaganda na televisão, o que, segundo o professor, abala a confiabilidade do partido e mostra ao eleitor que a visibilidade da campanha é mais importante que a qualidade dela.
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